chegou a hora de sentir, sonhar, escutar e cheiar-se de buraka som sistema. feito entre portugal e angola, a música faz explodir o passado e futuro da voz lusofona coletiva. sómente a palavra “sistema” segue o “som” literalmente – sugestando uma calidade mecánica detrás as melódias brutais e adstringentes. e, na verdade, há um ambiente técnico, industrial na tela e na harmonia. a mulher desconhecida canta, boca aberta, cara fechada. ambiente prateado, pesado, frio, sozinho. noite.

entretanto – talhando as líricas com clareza brilhante e um dialecto de português, avistando vários problemas na sociedade moderna. inegalidade, pobreza, fome, morte, vida, transporte, amor, hoje, amanhã, etc. com respeito leva tempos duros com a idéia lígera: “vamos todo o mundo dançar.”
a letra de yah! brilha com a comédia e a fluidez electrônica da foz feminina, quase robótica.
Aqueço noites no Mussulo
Meu kuduro cura ma culo
Batida não é só prós louco
Maluko no papa qui tôco
Faço chirilá quando fôco
Por más qui cuié sempré pouco
Tocá ná vizinha curi bancá
Eli perguntá quem é qui voltá
Meu estilo bati até ti chocá
Até eli se tirá roupá!

se pode comprender as palavras por falâ-as. “prós” unifica “para” e “os,” “maluko” usa uma letra diferente pra faz sentir ao apelido tradicional do Portugal. mais, ao fim do verso, a mulher fala com volume física. “toca na vizinha,” “eli” (ele ou el em espanhol) pergunta quem é, só pra recibir a resposta que ela possuie um estilo batucante que afecta o seu objeto até o momento desrobador.
finalemente, sound of kuduro abre com a declaração: “we made it! we here!” “pela primeira vez!” – o grupo chegue no Angola em 2007, inceptando a sua exploração da região. A cantante M.I.A. entra com uma entonação cheio de energia riscando tristeza.
pra saber mais sobre buraka som sistema, leia este artículo recente no New York Times.
a gente se vê.